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1. Controle temporal do fenômeno ovulatório


Atualmente, quase todos os tratamentos da infertilidade conjugal passam por uma etapa comum: a estimulação ovariana. Esse procedimento é realizado através de medicamentos que estimulam o desenvolvimento de vários folículos nos ovário, com o objetivo de aumentar as possibilidades de gravidez.

Uma das vantagens é o controle da ovulação, de modo que se possa determinar o melhor momento para eventual inseminação ou mesmo relação sexual. Além disso, nos programas de fertilização assim, o desenvolvimento folicular múltiplo permite a coleta de vários óvulos otimizando o tratamento, pela possibilidade de se obter mais de 1 embrião, que podem ser transferidos no ciclo de tratamento, e os excedentes, congelados para futura transferência.

2. Estimulação ovariana


Existem vários medicamentos indutores do processo ovulatório. O mais simples e menos dispendioso é o Citrato de Clomifeno. Este medicamento ativa os mecanismos endócrinos que culminam com a liberação do hormônio hipofisário que estimula o desenvolvimento folicular – Hormônio Folículo Estimulante (FSH). Este medicamento é muito utilizado para o procedimento de inseminação artificial ou coito programado. Para os casos de fertilização “in vitro” damos preferência para preparações de FSH recombinante ou com menotropinas, que podem ser administradas diariamente, via intra-muscular ou subcutânea, em doses individualizadas baseadas n monitoramento ultrassonográfico.

O especialista irá individualizar as doses e tipo de medicação mediante avaliação do quadro clínico, idade, peso e análise de eventuais tratamentos em ciclos anteriores. Nos programas de fertilização “in vitro” o mais comum é realizar o "bloqueio hipofisário" antes da indução ovulatória. Este análogo, faz com que os ovários deixem de produzir seus próprios hormônios permitindo que apenas a medicação atue, sem interferências. Além desse tipo de bloqueio, para evitar a ovulação em momento indevido utilizamos o antagonista do GnRH.

O controle ultrassonográfico é importante, pois avalia a espessura e qualidade do endométrio, o número e tamanho dos folículos, e o melhor momento para aplicação do HCG, orientando a relação sexual, inseminação ou fertilização "in vitro".

3. HCG - Human Chorionic Gonadotrofin (Gonadotrofina urinária de mulher grávida)


A estimulação ovariana provoca o desenvolvimento dos folículos que ao atingirem o diâmetro adequado (17 - 19mm), necessitam uma medicação que promovam a eclosão ovular. A ovulação ocorrerá entre 38 a 42 horas da injeção. Em procedimento de FIV, a coleta dos óvulos deverá ser feita 34 a 36 horas após sua administração.

A estimulação ovariana deve ser feita de forma criteriosa para que seja um procedimento seguro, evitando hiperestimulação ou gestação múltipla.

4. Coleta dos óvulos


Para a coleta dos óvulos, a paciente é levemente sedada. A aspiração folicular é direcionada por ultrassonografia transvaginal acoplando-se uma agulha com um sistema de sucção feito por seringa ou bomba de aspiração controlada. O material obtido é encaminhado para o laboratório onde será analisado, quanto à presença de óvulos. Este procedimento é realizado em nosso centro cirúrgico, observando todas as normas de segurança e assepsia.

5. Após a coleta dos óvulos


Após a aspiração dos folículos, a seringa ou tubo contendo líquido folicular é enviado ao laboratório de fertilização "in vitro", para verificar a presença de óvulos e classificá-los.

Enquanto isso, os espermatozóides são beneficiados em meio de cultura contendo nutrientes especiais. Após esse período de estabilização na incubadora, inicia-se a aplicação das técnicas.

Dentre as técnicas de fertilização in vitro utilizadas no tratamento do casal infértil estão:

6. Transferência embrionária


A transferência embrionária é a "inserção" dos pré-embriões no fundo da cavidade uterina, que ocorrerá de 3 a 5 dias após a coleta dos óvulos.

Passadas 16 a 20 horas da inseminação, os pré-embriões serão avaliados a cada 24 horas até o momento da transferência. O método de transferência mais utilizado, atualmente, é via transcervical (como um exame ginecológico), e a paciente permanece em repouso de 30 minutos a 1 hora na clínica, retornando, a seguir, para casa ou local de hospedagem, ficando em repouso relativo pro mais 2 dias.

Nos casos considerados a priore como "transferência difícil" utilizamos o auxílio da ultrassonografia com cateter provido de ecosonolucência.

7. Suporte de 2ª fase


Após a coleta dos óvulos iniciamos, à noite, a aplicação de progesterona (injetável, óvulos vaginais, cremes vaginais ou via oral). Este suporte é recomendados para auxiliar a manutenção de níveis adequados de progesterona.

Em casos de coito programado ou inseminação, em que não utilizamos o "bloqueio", não se faz necessários este suporte.

Atualmente estamos substituindo a progesterona injetável pela via sub-lingual, com excelentes resultados.

8. Teste de gravidez


Este exame, conhecido como teste do HCG, é solicitado cerca de 14 dias após a coleta dos óvulos ou 16 dias após a relação ou inseminação.

O resultado positivo indica a ocorrência de implantação embrionária. No entanto, a confirmação definitiva se faz com uma segunda determinação, constatando-se elevação significativa dos níveis de HCG (30 a 40% / dia). Duas semanas após o primeiro teste de HCG, solicitamos o exame de ultrassonografia transvaginal para detectar a presença de embrião na cavidade uterina.